Curto diálogo com as paredes

          A noite alfinetava de versos os ponteiros lúgubres. E nas voltas redivivas, o vento ensaiava doce balé com as folhas de outono.
          Da janela vislumbrava a inquietude volúvel das coisas. Era o momento de desvencilhar-me de turvos pensamentos, que insistiam em vestir-me o ser. Por dúbios momentos pensei estar livre; que ali poderia alçar vôos e fazer de mim um único grito. Mas ela! Atrevidamente, trazendo nos lábios, aquele sorriso marcado, olhar sarcástico, como se desejasse adentrar meu ser, tatuando em alto relevo, palavras em desalinho. Sua voz! Ah, sua voz! Transportava melodia, que adornava de espera os versos da próxima linha. E do nada? A pauta fartava-se, adocicada, por linhas tão minhas.
            E ela? Prepotente, permeada de cor e balanço. Não quero o norte de suas estações! Nem mesmo, sentir a brisa de suas respostas. Quero ignorar os seus sussurros, e seguir despretensiosamente pelas alamedas do re/florir... Sem papel ou caneta, sem olhar-te nos olhos... Quero sim! Esconder-me dos versos. Poder abrir a porta da sala e vislumbrar o vazio das páginas.
             -Quem é você? A dizer-me, que tudo é mentira! Não! Agora não! Chega! Renuncio a lógica desses seus dedos, essa sua mágica aquarelada, eternizando de tinta a pauta ainda amassada.
                  Eu a deixo ir embora! Pois me restam apenas algumas horas, antes que a aurora abra os braços e se farte com os raios do dia. Soltei as amarras, correntes, os laços indiferentes, esse gosto, gozo afinado. Afinal, porque vens aqui? A porta sempre trancada mantém em silêncio meus pensamentos, você entrou, deitou na minha cama, usou minha toalha, bebeu do meu vinho, e com seu jeito, disfarçou todas as feridas. Mansamente olhou-me lá no fundo, e disse-me em tons de encanto. Vem! Quero ser sua poesia!


Escrito por Weder Soares às 15h16
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Poemas Andantes

Queridos (as) Blogueiros, o Poesi@ em Movimento começa uma nova fase,
onde dedicara seu espaço aos escritores, poetas, amigos, almas poemas,
que vestem de luz esses cantos da internet. Poemas vivos, que andam, respiram,
sofrem e deixam marcas vivas nas pautas de tantos seres. Que amam e admiram, como eu a beleza das letras...

São POEMAS ANDANTES.
Para um inicio eu deixarei aqui, os passos de um jovem, que traz nas veias o néctar
suave das letras. Alex Sens Fuziy,
http://palavreando.zip.net/
"Sou garoto sonhador. Às vezes meio criança, às vezes meio caduco.
Tenho dezessete anos, às vezes cabeça de dez, quando regresso a uma infância gostosa que perdi na volta de um pião,
às vezes de setenta anos, filosofando sobre a vida, questionando o mundo,
tentando se encontrar num mundo que ainda desconheço...
Gosto de ser. Gosto de estar"... Alex Sens Fuziy
Assim ele começa um intercâmbio com a lógica, delineando
seu espaço com a magia do ser humano. Alegra-me existir no espaço desse garoto,
que dedilha com maestria as letras do ocaso, e faz com irrefutável beleza
contornos em seu delicioso viver. Alex vai além dos palácios suntuosos,
ele veste de maravilhas cada linha, permitindo uma maturidade que ultrapassa
seus dezessete anos, ele consegue fazer dos estilhaços encontrados no caminho um ensejo para novo poema,
e o faz com relevante esplendor... Palavreando aqui e lá também ele permite
aos olhos de quem o lê o desvendar de algo eterno, como se os anjos lhe falassem
aos ouvidos... E ele como instrumento traduzisse o belo em formas e sonhos.

"A vida assim resvala paixão ( aquele que renasce a cada luar )"...
Alex

 



Escrito por Weder Soares às 11h45
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